Office System

The Office Developer Blog (by Luiz Cláudio C. V. Rocha - São Paulo, Brazil)

Divulgar a quantidade de horas em projetos fechados

No que se refere à forma de contratação, podemos classificar projetos de desenvolvimento de software em dois tipos principais:

a) Projetos abertos: o fornecedor cobra x reais por hora de serviço prestado de um determinado perfil técnico.

b) Projetos fechados: o cliente determina um escopo e o fornecedor cobra x reais pelo "produto", dentro de um prazo combinado.

A diferença entre os dois tipos de contratação vai muito além do cálculo do preço. Existem diferenças nas expectativas, nos riscos, na forma de trabalho e na garantia.

Não se pode dizer que um tipo é melhor que o outro, pois depende de cada situação. Se o cliente tiver o escopo bem definido, pode valer mais a pena fazer um projeto fechado. Se o escopo não for claro, um projeto aberto é a melhor (para não dizer a única) solução.

Para o fornecedor de serviços, vender projetos abertos diminui bastante o risco, pois sua responsabilidade maior será garantir a qualidade do serviço prestado nas horas que vendeu. O risco de estouro de custo é do cliente.

Por outro lado, são os projetos fechados que possibilitam ao fornecedor ter ganhos maiores (e também perdas, obviamente). Se ele tiver boa produtividade interna, conseguirá vender projetos a preços competitivos e ter um ganho superior ao que teria se vendesse apenas as horas. E para o cliente existe a vantagem de não assumir riscos de custo, já que o preço é fixo.

A rigor, o objeto da venda é diferente em cada tipo: num projeto fechado, vende-se uma entrega, um "produto"; num projeto aberto, vendem-se horas, mão-de-obra (e não o "produto" que vai ser criado com o uso destas horas).

O que tenho visto no mercado, em algumas grandes empresas, é a confusão dos conceitos. Tem sido comum clientes pedirem propostas com preços fechados e, na fase de negociação (ou mesmo antes disto), exigirem que o fornecedor informe quantas horas vai consumir no projeto.

Ora, esta informação tem natureza de segredo industrial e não deveria ser solicitada, até por questões éticas. Por isto, não há problema algum o fornecedor recusar abrir estes números.  

Imaginem, por exemplo, que eu vá comprar 20 monitores para a minha empresa. Eu vou contratar um fornecedor que tenha preço, qualidade e prazo que me satisfaçam, e só. Não faz sentido eu exigir que ele me informe quantas horas vai gastar na fabricação, já que isto é segredo dele. Se ele tiver investido em equipamentos, tecnologia e pessoal que lhe permitam fabricar meu pedido em pouco tempo, melhor para ele, terá seu investimento recompensado.

A mesma regra vale para fabricantes de software: se a empresa investiu em equipe, treinamento, componentes, automatização e tecnologia que lhe permitam desenvolver um software em pouco tempo, não faz sentido ela ter que divulgar para quem quer que seja a sua real produtividade e seus custos internos de produção. Isto é um segredo industrial seu.

Assim, se você é um desenvolvedor ou uma empresa que vende projetos fechados, não há nada de errado em não divulgar a quantidade de horas. É um segredo do seu ofício, da sua forma de trabalhar. E pior: certamente esta informação só será usada contra você, nunca a seu favor. Limite-se a discutir prazo, qualidade e preço.

 

 

 

 

Comments

Minato said:

Acredito que o fato do cliente solicitar a divulgação das horas é para gerar comparação de horas! Recebentemente tivemos este problema e o único motivo de expor estas horas seria "levar" o projeto.

Quando é algo corriqueiro, creio que não haja grandes problemas em divulgar a quantidade de horas gastas, em especial se estiver dentro das práticas de mercado, mesmo porque, se não estiver dificilmente ganha-se concorrência.

Na minha opinião, vejo alguns motivos de não serem passadas as horas gastas em projetos fechados, como por exemplo.

*Fornecedor mantém boa técnica para produção (que faz com que as horas gastas sejam bem menores da praticada no mercado), neste caso o cliente pode achar "muito caro" as horas cobradas e não leva em consideração o "conhecimento" adquirido para desenvolver, neste caso, acho que isso pode até ser um ponto negativo em divulgar as horas.

* Se o fornecedor tem pouca concorrência no produto/tecnologia aplicada, assim, tanto faz se divulgar ou não.

Enfim, é isso

# July 20, 2009 10:31 PM

Avelino Sampaio said:

c) Projeto de escopo variável – Depois de levar tanto na cabeça, não fecho trabalho se não for desta forma.  Detesto ligar o taxímetro (projeto por horas) e acho até meio ridículo hoje em dia esse tipo de acordo.  Em projetos fechado a coisa fica engessada pela lista de requisitos.  Por mais que o cliente diga que sabe exatamente o que deseja, no final acaba sendo  uma mentira  e sempre temos que sentar para renegociar valores e lista.

A minha forma é essa:

a) Nunca fecho prazo  mais dou uma previsão e variável .  Exemplo: entre 8 e 12 meses

Na maioria das vezes a previsão é ultrapassada, não porque eu tenha previsto errado, e sim porque a lista de requisitos sempre aumenta de forma substancial;

b)Cobro por mensalidade

Fica claro em contrato que se a previsão for ultrapassada a cobrança de mensalidade prossegue.  Uma maravilha, o cliente vai pedido e eu vou fazendo e ganhando.

Acho a mensalidade boa também pelo lado psicológico.  Esquema casas Bahia - Se a prestação couber no mês, não importa muito quanto vai custar no final.

Dessa forma pra mim funciona por que chego ao cliente SEMPRE através de indicação.

# July 22, 2009 3:33 AM

Moacir Gouveia said:

Luiz, muito interessante esse assunto, só para complementar o que já foi dito, considerando horas, tenho certeza que acontece com vcs também, trabalhar de madrugada e fins de semana para agilizar a entrega, ou seja, horas "extras" desse tipo seriam bem mais caras, se o cliente quiser saber a quantidade de horas de um projeto fechado, deveria levar em consideração que fazemos essas "horas extras" para agilizar na entrega ficando bom para ambas as partes. =)

# August 5, 2009 8:10 AM

Moacir Gouveia said:

Luiz, muito interessante esse assunto, só para complementar o que já foi dito, considerando horas, tenho certeza que acontece com vcs também, trabalhar de madrugada e fins de semana para agilizar a entrega, ou seja, horas "extras" desse tipo seriam bem mais caras, se o cliente quiser saber a quantidade de horas de um projeto fechado, deveria levar em consideração que fazemos essas "horas extras" para agilizar na entrega ficando bom para ambas as partes. =)

# August 5, 2009 8:10 AM

Luiz said:

Uma pena que algumas respostas foram apagadas (provavelmente houve algum problema técnico na base do blog).

Um dos caminhos que eu sugeri para quem passa por este tipo de problema (cliente exigindo abertura de horas) é fazer a conta de trás para a frente.

Assim, se você é uma empresa que trabalha na estratégia de diferenciação, com um preço superior à média de mercado porque seu nível de entrega também é melhor, ou tem o mesmo preço do mercado mas com custo de produção menor e o cliente está exigindo que você exponha seu segredo (informando a quantidade de horas), pegue seu preço final e divida pelo valor/hora de mercado, chegando a uma quantidade de horas "oficial".

# August 6, 2009 5:32 AM
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